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O norte de África volta a colocar-se, e bem, no meu caminho. Desta vez, estou na Tunísia e, em menos de 24 horas, passei por Tunes, a capital, por Sidi Bou Saïd, uma vila virada para o Mediterrâneo, e Djerba, a ilha mais a sul que tantos turistas traz ao país.

Primeiras impressões: a comida é ótima, sobretudo as saladas, os hotéis têm a opulência árabe nas zonas comuns, a arquitetura tradicional é respeitada, nenhum edifício ultrapassa a altura dos minaretes da mesquita e o mar está sempre à espreita. Nota-se que o país vive com um pé no ocidente e outro no oriente e isso dá-lhe ainda mais encanto.

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Em Tunes, onde voltarei daqui a dois dias, só houve tempo para visitar o Museu do Bardo, mesmo ao lado do parlamento tunisino e que se dedica ao mosaico. Através desta “arte” fica-se a conhecer muito da história deste país, por onde passaram fenícios, romanos, bizantinos, árabes, otomanos e franceses e, para mim, hoje foi um reviver das aulas de latim do secundário. O mosaico mais famoso é o do escritor Virgílio, autor de Eneida, com as suas musas, no entanto, o que mais me chamou a atenção foi o que mostra Ulisses a ser “encantado” pelas sereias e que se tornou num símbolo de Djerba. Foi nesta ilha, segundo reza a lenda, que os companheiros de viagem daquele herói épico comeram flor de lótus e apagaram todas as recordações da vida passada e é isso que ainda hoje Djerba pede ao turistas: «Esqueçam as vossas vida quotidiana e desfrutem da paz desta ilha», explica o guia. Será fácil? Em Djerba a algumas horas, posso dizer que sim: A paisagem árida, polvilhada com palmeiras e oliveiras e banhada pelo Mediterrâneo afasta-me, cada vez mais, de casa e do dia a dia. As esplanadas e os cafés das aldeias estão cheios – mais de homens do que mulheres (embora na Tunísia as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens) – as crianças brincam na rua e cheira a mar. À beira da estrada há várias lojas e “bancas” para vender gasóleo, economia paralela que funciona mesmo ao pé de algumas bombas de gasolina de grandes companhias internacionais e é usada sobretudo pelos donos de veículos motorizados, onde, por sinal, cabe sempre mais uma pessoa.

 

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O primeiro ponto de paragem foi Guellela, cujo o museu conta os usos e costumes da ilha e tem o privilégio de estar no seu ponto mas alto, 45 metros acima do nível do mar. Numa das salas, onde mais uma vez todo o destaque vai para os mosaicos, há um que me capta a atenção de imediato, é o símbolo do Benfica que de tão inesperado me transporta, por momentos, para Lisboa mas as recordações passam depressa, pois há que viver Djerba. Ainda houve tempo para ver um ateliê/loja de cerâmica (é esta arte que emprega a maior parte da população de Guellala), onde um artesão trabalhava e me deu a conhecer o camelo mágico, que não é mais do que uma espécie de shaker para juntar todo o tipo de bebidas.

 

Devem estar a pensar que me esqueci de Sidi Bou Saïd, mas não… estou a apenas a adiar porque voltarei lá antes de partir para Portugal e com um pouco mais de tempo para desfrutar da pitoresca vila azul e branca que parece saída de um postal.

 

A Saber Viver viaja a convite da Tunisair, Turismo Nacional da Tunísia e Agência Abreu

 

 

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