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Se, para algumas pessoas, o Natal significa momentos de alegria, para outras esta é uma época de tristeza e solidão… Saiba que razões a fazem sentir sozinha no Natal e descubra como pode tornar o seu mais feliz.

Não abdica das decorações natalícias, embora não goste do Natal. Pode até parecer contraditório, mas há uma razão clara para que assim seja. As luzes do pinheiro de Natal que lhe iluminam a casa são as mesmas que lhe aquecem a alma. Divorciada há 16 anos, Maria, de 45 anos, não consegue esquecer os momentos felizes que viveu em família durante o seu casamento. Desde que se separou do marido que vive o Natal com saudade e tristeza. “Esta época faz-me lembrar os momentos felizes que passei enquanto era casada. Naquela altura fui feliz no meio de uma grande família. Hoje, a minha família resume-se apenas aos meus pais, o que me deixa triste. Gostava muito de poder voltar a viver o Natal com uma família numerosa e feliz…”, desabafa Maria, que se sente sozinha no Natal.

O aumento do divórcio nas últimas décadas, que leva muitas pessoas a viver o Natal longe dos filhos e ou da família que já tiveram, está entre os principais fatores responsáveis pelos sentimentos de tristeza e solidão nesta época do ano, mas não são os únicos. De acordo com Ana Cristina Almeida, psicóloga e diretora clínica da Clínica Psicronos, “a perda de familiares próximos, a ausência de uma relação amorosa significativa e a distância geográfica da família, que atualmente muitos jovens emigrados enfrentam, são os principais motivos de um Natal triste”. A solidão e a saudade tornam-se, assim, frequentes numa altura em que, de acordo com as expectativas culturais e sociais, somente a felicidade deveria predominar…

Solidão, um sentimento comum

Apesar de não se verificar, propriamente, um aumento do número de consultas de psicoterapia nesta altura do ano, Ana Cristina Almeida confirma que os seus pacientes que se sentem sozinhos (habitualmente, por não terem um relacionamento amoroso significativo) manifestam nesta época, “fortes sentimentos de solidão e tristeza”. Esta sensação de solidão está associada, segundo a psicóloga, à noção e expectativa de família. “É particularmente difícil viver o Natal para aquelas pessoas que sentem ter a família fragmentada, destruída ou incompleta, ou que ainda não formaram uma família como desejariam”, refere a especialista.

Entre os que mais sofrem com a chegada do Natal estão “as pessoas que tiveram de enfrentar divórcios recentemente, as que perderam familiares próximos nesse mesmo ano ou em anos recentes, os jovens emigrados e as pessoas (sobretudo, as mulheres) que, estando numa fase da vida em que desejam constituir família, se veem e se sentem sozinhos, sem um(a) parceiro(a) amoroso(a)”, indica Ana Cristina Almeida.

Como superar a tristeza

Se se sente triste e sozinha porque nesta fase da sua vida gostaria de ter uma relação amorosa estável e sólida e/ou já gostaria de ter constituído a sua própria família, mas por diversos motivos, ainda não conseguiu, concentre-se no momento presente e foque-se nos objetivos que já conseguiu atingir até aqui. “Não se deixe enredar pela ‘armadilha’ do lamento e de se centrar no que não tem e gostaria de ter. Aprecie o que tem. Olhe para si e para a sua vida e faça uma lista das coisas boas que tem, como as pessoas ao seu lado, os seus animais de estimação e/ou as suas circunstâncias (profissão, passatempos, etc.). Se tiver uma lista destas do ano anterior, compare-as e perceba que este ano tem mais coisas boas e novas”, recomenda Ana Cristina Almeida. Se o motivo da sua tristeza é a distância física dos seus familiares, por se encontrar noutro país, dê uso às novas tecnologias – use, por exemplo, a videoconferência – ou, então, planeie um outro Natal numa data em que possa estar junto da sua família. Afinal, o Natal é todos os dias – se quisermos.

O Natal dos portugueses após o divórcio

As conclusões de um trabalho de investigação sobre famílias monoparentais portuguesas, levado a cabo pela socióloga e investigadora Sónia Vladimira Correia:

– Pais e mães sós que viveram uma situação de divórcio menos sofrida/problemática tendem a relacionar-se cordialmente e a partilhar responsabilidades, direitos e deveres nos cuidados com os filhos, de um modo menos conflituoso. Em alguns destes casos, pai e mãe fazem questão de partilhar, em conjunto, diversas épocas festivas, nomeadamente o Natal.

– A relação com o ex-cônjuge/companheiro acaba por ter um papel muito importante no modo como as comemorações em família são vividas. Em famílias monoparentais, onde se valoriza a presença do outro progenitor, e da sua família de origem, na vida das crianças e dos adolescentes, as épocas festivas acabam por ser vividas de um modo mais integrado e próximo.

7 estratégias para viver uma época mais feliz

(Mesmo quando se sente sozinha no Natal!) 

  1. Junte-se aos seus amigos e passe o Natal com eles, se está a viver noutro país ou, por qualquer outro motivo, não consegue passar o Natal com a sua família;
  2. Passe o Natal em hotéis ou em grupos associativos que preparam festas específicas e descubra uma outra forma de viver esta época festiva;
  3. Dedique-se ao seu hobby preferido e aproveite esta época para fazer algo com o grupo que tenha os mesmos interesses;
  4. Se tiver disponibilidade financeira, viaje e aproveitar para ver o Natal noutros pontos do planeta;
  5. Seja solidária. Após a consoada, procure pessoas que possam beneficiar de uma refeição melhorada e ofereça-a. Se é religiosa, associe-se à sua igreja e dedique-se a ajudar as pessoas que têm dificuldades, fazendo-lhes companhia e levando/partilhando bens;
  6. Não fique sozinha. Não tenha vergonha de dizer que não quer ficar sozinha e encontre outras pessoas que também queiram partilhar um Natal sem ser em família. Há muitas mais do que aquilo que imagina…;
  7. Divirta-se! Sozinha, em grupo, em família, com amigos, com o seu animal de estimação… Não importa. Divirta-se!

Sente-se sozinha no Natal? Identificou-se com este texto? Conte-nos a sua história.

 

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