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Por vezes as crianças têm atitudes difíceis de compreender. Os motivos que as levam a agir assim são variados por isso o melhor é estar preparada para descodificar e reagir da melhor forma às mudanças de comportamento.

Até há cinco minutos estava a brincar e agora ninguém se pode chegar ao pé porque não para de fazer birra! Já presenciou esta situação? Segundo Cristina Valente, autora do livro O que se passa na cabeça do meu filho, “a cabeça dos nossos filhos é um mistério. Imprevisível, fascinante, mas na maioria das vezes frustrante. Um dos maiores segredos da educação é tentarmos entender e descodificar, precisamente, as atitudes e comportamentos dos mais novos. Perceber o que se passa nas suas cabeças, de forma a criarmos relações mais felizes.”

Ele está a fazer birra

O que na verdade é

A verdadeira razão destas mudanças de comportamento têm a ver com o seu pequeno cérebro e com a forma como este funciona nestas idades. Quando a criança se sente frustrada, zangada, aborrecida, receosa, etc., o seu sistema límbico (modo emocional) fica inundado de sinais de alerta. E não deixa o necórtex (modo pensante) funcionar. É por esta razão que as crianças, quando se sentem stressadas, fazem coisas estúpidas que normalmente não fazem. Simplesmente, não conseguem descobrir como se comportar melhor nem conseguem verbalizar os seus sentimentos.

O que podemos fazer

O primeiro passo é sentir compaixão pelo seu filho e tentar perceber o que se está a passar. Embora este cenário possa parecer difícil, o mais importante é tentar permanecer calma. Se se aproximar cautelosamente é provável que se sinta acompanhada e que entenda que sabe o que se está a passar. É uma excelente ideia dizer-lhe, por exemplo, que vamos estar por perto enquanto aquilo durar. Devemos ficar à espera e ouvi-la, enquanto tenta deitar tudo cá para fora, mesmo que seja na forma de uma irritante choraminguice. A isto chama-se “ligação de amor”.

Ele está a desafiar-me

O que os pais pensam que é

O comportamento desafiador não é o que parece. Os pais podem pensar milhares de vezes “o que se passa dentro daquela cabeça para se comportar sempre assim?”. Sempre contra si. Embora possa parecer que a criança o odeia isso não é verdade! Ela ama-o… de vez em quando de uma forma bizarra…

O que na verdade é

Nalguns casos, o que parece ser um comportamento desafiador, pode ser simplesmente uma situação tão importante para a criança naquele momento, que nada a consegue distrair. O foco é total. Tão grande que mesmo que esteja com fome ou com vontade de ir à casa de banho isso passará para segundo plano. No entanto, um comportamento desafiador que persista durante um período prolongado de tempo (mais do que seis meses) e que interfira grandemente com o seu desempenho escolar, com a sua relação familiar e entre amigos, poderá eventualmente tratar-se de um sinal de algo conhecido como perturbação de oposição e desafio (POD).

O que podemos fazer

A) Encontrar a raiz do problema. As causas podem ser diversas: pais autoritários ou conflituosos, um ambiente sem amor e/ou sem rotinas, sem supervisão adequada, etc;
B) Regras claras. Certifique-se que foi suficientemente clara e objetiva quando lhe comunicou as regras e as tarefas e que ele tem idade apropriada para conseguir realizá-las;
C) Antecipe o bom comportamento. Tente evitar situações em que ele possa ter um comportamento mais desafiador ou negativo;
D) Trate-o da mesma forma que gostaria de ser tratado. Seja firme quanto ao que ele tem que fazer, mas fale-lhe de forma suave e compreensiva;
E) Aproveite as suas competências verbais. Discutam sobre os desejos e expetativas de ambos e tentem encontrar uma solução que funcione para os dois;
F) Existem regras inegociáveis. Assegure-se de que o seu filho sabe exatamente o que pode e o que não pode fazer.

Ele está a fazer queixinhas

O que os pais pensam que é

Nestas situações é frequente os pais acharem que a criança quer verdadeiramente prejudicar e criar problemas aos outros. Ou então que o seu filho pode vir a tornar-se num adulto vingativo e mesquinho.

O que na verdade é

As crianças podem recorrer às queixinhas por várias razões: as crianças em idade escolar estão a aprender o que são regras. Por isso, também aprendem como quebrá-las. Estão a desenvolver a noção de moral, a descobrir as diferenças entre o certo e o errado e colocam uma grande ênfase no sentido de justiça. Por isso, quando veem alguém a fazer o que não é suposto sentem-se impelidas a falar do assunto. Também o podem fazer para ver se caem nas graças dos pais ou professores ou motivadas por ciúmes, tentando ganhar vantagem sobre irmãos ou colegas.

O que podemos fazer

A) Encoraje-a a pensar nas consequências das suas ações. Ao levar a criança a colocar-se “nos sapatos do outro”, não está apenas a mostrar-lhe porque é que fazer queixinhas pode ser mau, mas também a sentir empatia por ela;
B) Tente ver o lado positivo deste comportamento, que, de qualquer forma, vai passar com a idade. As queixinhas só mostram que o seu filho tem urgência em ver o mundo a funcionar segundo as regras que ele próprio está ainda a aprender;
C) Seja paciente. Por vezes é muito difícil para uma criança pequena fazer a distinção entre o que é uma situação perigosa (que deve ser reportada) e outra completamente inofensiva.

Ele finge que não ouve

O que os pais pensam que é

Quando pedimos ao nosso filho para arrumar os brinquedos e ir deitar-se e ele nos ignora pura e simplesmente é difícil de aceitarmos a ideia de que não se trata de nenhuma falta de respeito nem provocação aos mais velhos.

O que na verdade é

Estas mudanças de comportamento tem mais que ver com o facto de ele estar muito focado numa dada atividade do que propriamente querer desobedecer-nos ou provocar-nos. Esta incapacidade para transitar de uma atividade para outra é muito comum entre crianças pequenas, porque lhes falta autorregulação e disciplina necessárias para conseguirem deixar algum que estão a fazer e que as envolve e partirem para algo completamente diferente.

O que podemos fazer

A) Pense nas mudanças de atividade que podem ser responsáveis por este comportamento;
B) Desça ao nível do seu filho;
C) Mantenha a cabeça fria;
D) Explique as consequências dessas mudanças de comportamento;
E) Dê-lhe um tempo suplementar;
F) Olhe para estas questões como um work in progress.

Identifica-se com estas mudanças de comportamento? Partilhe connosco qual a sua estratégia.

 

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