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Se pensa que só quem não trabalha ou tem empregos demasiado flexíveis é que consegue viajar muito engana-se. Raquel Rodrigues trabalha cerca de oito horas diárias e faz mais de trinta viagens por ano. Como? Saiba tudo – incluindo os melhores truques – a seguir.

Vietname, 2016. Raquel Rodrigues estava numa carrinha Van, a caminho dos campos de arroz, e meteu conversa com a pessoa que estava no lugar ao seu lado. Era francês e estava a conhecer o sudoeste asiático sozinho (tal como ela) até chegar a altura de ir ter com a namorada a Hong Kong. Ali, criou-se rapidamente uma amizade, como outras tantas que Raquel Rodrigues, gestora de comunicação e marketing da ACP e autora do blog de viagens RR Around the World, tem vindo a ganhar nas muitas viagens que faz.

Desde 2007 que viaja muito, muitas vezes por ano. “Tenho uma maneira de estar na vida que é: eu vou. Quem quiser vir que se junte, mas não vou deixar de ir por estar sozinha.”, disse-nos. Só em 2016 foi a 40 sítios, umas vezes sozinha, outras acompanhada. Andou três dias por Berlim; foi de carro a Granada, Córdova e Sevilha; passeou por Israel, Palestina e Jordânia; esteve em Barcelona e andou por várias cidades italianas; fez Moscovo e São Petersburgo em cinco dias; foi feliz no Rio de Janeiro, Sri Lanka e Vietname e aproveitou todos os fins de semana que conseguiu.

Algo que também consegue é manter um emprego estável, oito a nove horas diárias, com 24 dias de férias. Como? “Com muita ginástica financeira e muita organização”, conta-nos a gestora, que se mostra muito orgulhosa do seu percurso profissional. “Eu sou uma pessoa muito, muito organizada. Esforço-me muito para isso porque é fundamental. No início do ano analiso o calendário com atenção e vejo todos os feriados e pontes possíveis. Depois, nunca vou para um sítio sem ter tudo organizado ao pormenor. Isso ajuda-me imenso a poupar tempo e a não deixar nada de importante por ver. Ah! E marco tudo com pelo menos seis meses de antecedência.”, continuou.

Também a nível financeiro tudo é pensado ao pormenor por Raquel Rodrigues. A gestora, que além do seu emprego também faz voluntariado todas as quartas-feiras, utiliza vários truques para conseguir poupar e, consequentemente ter dinheiro para todas as viagens (ver dicas em baixo). Viagens essas que, na maioria das vezes, a fazem ter vontade de voltar. E volta… sempre com a mesmo intenção: procurar as coisas mais genuínas e viver na primeira pessoa a cultura do país em questão, regressando a Portugal muito mais instruída e feliz.

Para que fique a conhecer melhor a realidade desta apaixonada pelo Mundo – e perceber como pode, de maneira fácil, conciliar um emprego estável e diário com um número grande de viagens anuais – mostramos-lhe, a seguir, as melhores dicas de Raquel Rodrigues.

Truques para conseguir parecer que tem mais dias de férias do que tem na realidade

  • Aproveitar todos os fins de semana. “Há sítios que, com tudo bem organizado, se conseguem ver de sexta a domingo”;
  • “Partir” dias de férias. Ou seja, se só precisa da tarde, vá sempre trabalhar de manhã;
  • Organizar-se sempre com os colegas de trabalho. “Tento sempre que as minhas férias não choquem com as dos meus colegas. Se as minhas datas não funcionam eu ajusto-me. Isso é fundamental”;
  • Ter as férias fechadas sempre no final de janeiro de cada ano.

Truques que a ajudam a poupar (Raquel Rodrigues diz que consegue gastar menos dinheiro a viajar 10 vezes por ano do que as pessoas que viajam apenas duas, mas reservam tudo em cima da hora)

  • Planear tudo com uma antecedência mínima de seis meses (incluindo compra de voos e marcação de hotéis);
  • Aproveitar todos os descontos de antecipação;
  • Não viajar em agosto, quando toda a gente o faz;
  • Tentar arranjar sempre contactos [por exemplo, o amigo do amigo ou alguém que já lá foi e conhece outro alguém];
  • Escolher sempre hotéis confortáveis mas económicos;
  • Quando não se vai sozinha dividir sempre os quartos por duas ou três pessoas;
  • Procurar alojamentos com refeições incluídas e fazer contas para perceber qual é a opção mais barata;
  • Ficar sempre com contactos de pessoas locais que vão ser importantes para uma próxima ida ao local;
  • Negociar sempre um preço justo para ambos: viajantes e locais;
  • Poupar em bens materiais. “Eu tenho um pensamento que é: ou compro ou viajo. Opto sempre por viajar. Não sou nada consumista de bens materiais”.

Como conhecer um sítio em poucos dias

  • Estudar muito bem o local ainda em Portugal;
  • Levar todas as atividades organizadas por dia e hora;
  • Tirar algum tempo para ler um livro num jardim local. “Acho essencial e tiro sempre um tempinho para isso”;
  • Andar nos transportes públicos locais. “Ver as pessoas, imaginar o que estão a fazer, ver como se comportam”;
  • Fugir dos restaurantes turísticos e conhecer a gastronomia local.

Os melhores conselhos para quem quer começar a viajar muito

  • Fazer um interrail;
  • Escolher cinco capitais europeias para conhecer e começar por aí;
  • Se viajar sozinha conhecer o Sudoeste Asiático. “São países francamente seguros para se viajar sozinha”;

4 viagens que adorou e sugere

  • Rio de Janeiro. “É efetivamente a cidade maravilhosa. Consegue reunir uma data de coisas boas num só local: mar, montanha, clima, alegria e comida. É especial, tal e qual como mostra e exatamente o que as pessoas esperam. Já fui oito vezes!”;
  • Nova Iorque. “Lugar comum onde chegamos e sentimos que já lá estivemos e que precisamos de lá voltar. As pessoas são práticas, vão de patins trabalhar! Ao contrário do que se pensa, em Nova Iorque vive-se muito e vive-se bem!”;
  • Islândia ou Fiordes na Noruega. “São paisagens únicas no Mundo. São paisagens gélidas, frias, dão-nos a sensação que estamos na lua. É tudo tão diferente e especial ao mesmo tempo…”;
  • Jordânia. “Acho que foi a viagem mais intensa, especial e espiritual que fiz na vida. É uma sensação de viagem ao passado. Sentimos que estamos a vivenciar o Indiana Jones. Deve fugir-se ao roteiro turístico, alugar um cavalo ou um burro e fazer os trechos pelas montanhas, ver o nascer do sol…”.

6 sítios em Portugal que é obrigatório conhecer

  • Douro. “É completamente obrigatório. Início de primavera é a melhor altura para conhecer o Douro. Sugiro que fiquem numa quinta com boa vista e piscina. Depois, devem fazer uma passeio de barco e voltar de comboio. A seguir, um jantar no DOC, do chef Rui Paula”;
  • Gerês. “É uma serra única com paisagens das mais bonitas que temos no País. É ótimo para descansar. Dá para fazer trekking, canoagem, passeios a cavalo, paddle, alugar uma mota de água, várias coisas”;
  • Rota das Aldeias Históricas. “Fiquei fascinada com a serra da Malcata. É uma zona fora de série. Parece tudo pintado e há turismos rurais muito simpáticos”;
  • Tróia e Comporta. “É obrigatório. É o meu sítio preferido em Portugal. Se um dia puder escolher um sítio para ter uma casa de férias vai ser aí. As praias são únicas!”
  • Interior do Alentejo. “Adoro Évora, Avis… Conseguimos descansar e há comida ótima”;
  • Tavira. Essa zona é muito especial e a comida também é muito boa. Em todos estes sítios encontramos muita genuinidade!”.

A título de curiosidade, neste momento, Raquel Rodrigues já tem as férias de 2017 fechadas. Fala de viagens de uma forma apaixonante. Os olhos brilham e a conversa flui… simplesmente porque há sempre mais uma história para contar, uma experiência para partilhar e um bilhete que vale a pena comprar. “Viajar é das melhores coisas que levamos desta vida. É a melhor escola que podemos ter! À parte disso, sou uma apaixonada pelo meu trabalho e muito profissional. Se podemos conciliar bem as duas coisas? Com paixão e organização pode-se tudo”, confidenciou-nos.

Costuma viajar muito? Como concilia com o seu emprego?

 

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