By

Embora não tenham efeitos mágicos como no conto João e o Pé de Feijão, a ONU declarou 2016 o ano das leguminosas. Fazem bem, não só à saúde e bem-estar, como ao ambiente. Saiba, a seguir, por que é que deve consumir grãos.

É cada vez mais importante consumirmos fontes alternativas de proteínas. Em todo o mundo, e, especialmente, nas sociedades ocidentais, ingere-se carne e ovos em excesso. Esse foi um dos motivos que levou este ano a Food and Agriculture Organization (FAO) das Nações Unidas, a realçar a importância das leguminosas (em grãos, por exemplo) na alimentação. Segundo Gonçalo Moreira Guerra, vice-presidente da Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN), o objetivo desta campanha é, precisamente, “promover o consumo de leguminosas em detrimento de outras fontes proteicas”. Acontece que, em Portugal, a ação de sensibilização para os benefícios deste alimento não será suficiente. Dados da Balança Alimentar Portuguesa, publicados em 2014 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), revelaram existir uma escassez de leguminosas no mercado nacional.

Benefícios dos grãos

Têm um forte benefício nutricional

“As leguminosas podem dividir-se em duas categorias: os grãos (feijão, grão-de-bico, lentilha, ervilha, fava e tremoço) e as oleaginosas (a soja e o amendoim)”, explica o vice-presidente da APN. Além de serem ricos em proteínas de origem vegetal, este alimentos também fornecem hidratos de carbono, fibras, vitaminas do complexo B, ferro e cálcio. E o facto de possuírem um baixo teor de gordura faz com sejam excelentes aliados numa dieta saudável. Uma vez que, isoladamente, não possuem todos os aminoácidos essenciais, as leguminosas devem ser conjugadas com cereais para potenciar o seu valor nutricional. Isto porque “as proteínas de origem vegetal não são de elevado valor biológico como as de origem animal, não apresentando uma composição onde estejam todos os aminoácidos essenciais”, esclarece Gonçalo Moreira Guerra.

São económicos 

Imagine que, no mesmo dia, todos os portugueses se lembram de fazer grão-de-bico com bacalhau, salada de feijão-frade com atum, feijoada e dobrada. A quantidade disponível de leguminosas não é suficiente para dar uma porção a cada pessoa. Ou seja, não satisfaz as necessidades, ficando bastante aquém das recomendações da Roda dos Alimentos. “Esta aconselha que o consumo de leguminosas contribua com quatro por cento da alimentação diária, sendo que a última Balança Alimentar (2008-2012) apresenta uma disponibilidade de 0,6 por cento de leguminosas por pessoa”, relata Gonçalo Moreira Guerra. Assim, devemos esforçar-nos por aumentar a procura e o consumo de leguminosas. Não só porque são um produto económico, como fazem bem à saúde.

Combatem patologias e alergias

Todos nós devemos integrar as leguminosas na nossa alimentação diária, mas este alimento ajuda, sobretudo, pessoas que sofrem de algumas patologias. O vice-presidente da APN adianta que a ingestão regular de leguminosas “está associada à prevenção e melhoria das doenças cardiovasculares, da diabetes mellitus, da doença inflamatória intestinal e do cancro do cólon”. De igual modo, a maior disponibilidade de leguminosas no mercado facilita muito a vida às pessoas que sofrem de alergias alimentares – cujo número tem vindo a aumentar progressivamente desde há três décadas. Hoje em dia, “entre três e quatro por cento da população adulta e seis a oito por cento das crianças têm alergias alimentares”, conta Joyce Boye, investigadora no Food Research and Development Centre of Agriculture and Agri-Food, do Canadá. E, na lista dos principais alergénios, apenas consta uma leguminosa: a soja. O que não impede as pessoas que sejam alérgicas de comer outras leguminosas.

Torná-los mais user-friendly

Porém, não chega nomear a lista de propriedades e vantagens das leguminosas. E ainda que este alimento tenha variadíssimas aplicações culinárias, no dia a dia as pessoas têm pouco tempo e evitam fazer pratos que envolvam demolhar leguminosas em grão e depois cozê-las durante uma hora. Para aumentarmos o consumo deste alimento, a indústria alimentar também deve encontrar soluções criativas para as usarmos melhor. Joyce Boye, confirma a eficácia dessa estratégia: “Ajuda haver no mercado produtos alimentares à base de leguminosas que mantenham as suas propriedades funcionais e que saibam bem”. Algo que se vai começando a ver em terras lusas. De acordo com Gonçalo Moreira Guerra, a indústria portuguesa “já utiliza farinha de leguminosas para a base de alguns produtos alimentares. Sendo uma matéria-prima económica e saudável, seria obviamente interessante a sua maior disseminação na indústria”.

São amigos do ambiente

Do ponto de vista ecológico, o cultivo de leguminosas é uma forma responsável de fazer agricultura. Porquê? Promove a sustentabilidade ambiental, contribuindo para a conservação dos solos e ajudando a combater a poluição do ar. Questões que preocupam cada vez mais os consumidores. Já não é suficiente dizer que um alimento é bom para a saúde. Existe uma maior consciencialização para reduzirmos a nossa pegada ecológica e isso reflete-se nos produtos alimentares que compramos e consumimos. Atualmente, a Índia é o maior produtor e o Canadá, o principal fornecedor de leguminosas do mundo.

Costuma consumir este tipo de leguminosas?

 

Leave a Reply