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Se já alguma vez regressou de férias com amigos com a sensação de que, como diz o velho ditado, só se conhece mesmo alguém depois de partilhar o mesmo teto, então leia este artigo. Os amigos são para todas as ocasiões, sim, mas pode haver exceções.

Claro que adora os seus amigos. E arrepende-se de não conseguir passar mais tempo com eles no dia a dia. Nada mais natural do que passarem as férias juntos. É que quando se viaja em grupo, tudo parece mais divertido. A partilha, o sentimento de comunhão, a companhia, os miúdos que se entretêm e deixam os adultos conviver. Qualquer momento de vivência e troca entre amigos fortalece ainda mais uma amizade, seja pelos bons momentos ou pela necessidade de enfrentar situações difíceis. As memórias eternas na mente de quem participa também se torna um motivo para organizar novas reuniões para rever as fotos das férias e reforçar os laços. Amigos, companheiros, compinchas ou parceiros, independentemente da forma como os tratamos, o certo é que é com eles que queremos passar grande parte nosso tempo. O mesmo acontece quando chegam as férias: é que 54 por cento dos portugueses opta por fazer férias com amigos.

E estes dados, segundo um estudo da momondo, ‘Tendências de Viagens’, não são apenas referentes a jovens, pois 46 por cento dos portugueses, entre os 56 e os 65 anos, indica os seus amigos como os principais influenciadores quando planeiam as suas férias. Contudo, atenção. Esta joint venture pode tornar-se menos relaxante e divertida do que estava à espera. Por isso, antes de partir de férias com outro casal ou qualquer outra pessoa com quem não partilhe o mesmo sangue ou anos de vida em comum, saiba que existem várias abordagens a perspetivar. “É natural que existam divergências nas relações interpessoais, independentemente do grau de proximidade”, afirma a psicóloga clínica Filipa Jardim da Silva, da Oficina de Psicologia, que aqui indica quais “as  formas mais saudáveis e inteligentes de gerirmos a diferença e o conflito”.

Gerir expetativas

“Muitas vezes, os desentendimentos nas férias residem nas expectativas que não foram partilhadas em grupo devidamente, antes do início de descanso. As preferências também devem ser negociadas para se procurar alcançar consensos. Ao mesmo tempo, os ritmos fisiológicos de cada um, bem como o seu estilo de vida, pode levar a alguns desencontros, sobretudo nos primeiros dias em que corpo e mente se procuram adaptar a um tempo e a um espaço bastante diferentes do habitual.”

Saber partilhar o mesmo teto

“Partilhar o mesmo teto com alguém dá-nos acesso a partes distintas dessa pessoa e permite-nos estabelecer um nível de intimidade diferente daquele que temos com os amigos com quem nunca partilhámos um teto. Se tal será necessário para podermos afirmar com segurança que conhecemos alguém? Não necessariamente. O que poderemos considerar é que, depois de partilharmos o mesmo teto com um amigo, acedemos a um maior nível de intimidade e conhecemos características da pessoa num contexto distinto, o que não significa que seja impreterível partilhar casa com um amigo para o considerar verdadeiro”.

Não existe uma fórmula mágica

Para o sucesso das férias em grupo, existem alguns aspetos ou regras que podem ajudar a uma convivência pacífica. A psicólogo clínica, indica: “O respeito pela diferença. Mais do que procurar identificar quem tem razão, uma perspetiva flexível é um aspeto importante para uma convivência pacífica em grupo. A capacidade de ouvir o outro e não ouvir-se só a si próprio. Em grupo, temos de nos disponibilizar para calibrar os nossos ritmos pessoais para dançarmos todos ao som da mesma música. Substitua as lentes a preto & branco por uma graduação de cores maior: mais do que opiniões certas e erradas, pessoas corretas e pessoas incorretas, existe um espectro de perspetivas e de personalidades que tornam a convivência entre pares tão rica.”

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Saber gerir o tempo livre em grupo

As férias com amigos têm inúmeros benefícios: companhia, crianças entretidas… Mas partilhar tanto tempo livre pode não ser tão pacífico como se esperaria. Na aproximação do conflito, saiba como o evitar antes que tudo descambe.

“É natural que existam divergências nas relações interpessoais, independentemente do grau de proximidade. Existem formas mais saudáveis e inteligentes de gerirmos a diferença e o conflito”, afirma a psicóloga clínica Filipa Jardim da Silva, que sugere:

  • Fale abertamente sobre os “elefantes” na sala. Assim que alguma questão suscitar divergência, é importante abordar de forma clara e assertiva o tema para facilitar a comunicação eficaz entre as duas partes e, assim, poder identificar com precisão os pontos que estão em divergência. Nem os nossos amigos mais próximos nos leem a mente;
  • Treine a sua escuta ativa. Mais do que ouvir do outro o que espera ou acha que vai ouvir, disponibilize-se para um diálogo verdadeiro, o que implica partilhar o que pensa e sente e procurar perceber o que o outro pensa e sente, com respeito pela diferença. Mais do que pessoas certas e pessoas erradas, existem perspetivas, sensibilidades e opiniões que podem ser mais ou menos distintas, pelo que é natural que seja necessária alguma negociação nas relações interpessoais;
  • Mais do que procurar ter razão, procure focar-se no objetivo central destes diálogos, que passará certamente por chegar a um ponto de consenso, que permita que o ambiente de férias seja bom e que todos usufruam ao máximo deste período de tempo.

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“Kit de sobrevivência” para ir de férias com amigos

Filipa Jardim da Silva, Psicóloga Clínica da Oficina de Psicologia, recomenda:

  • Um elástico a representar doses generosas de flexibilidade;
  • Walkie talkies para nos recordar da importância de falarmos quando temos algo a dizer e ouvirmos o outro com atenção;
  • Um livro de anedotas para assegurar uma pitada de humor;
  • Um mp3 para permitir alguns momentos de isolamento e passeio mais solitário;
  • Um jogo de grupo para quebrar a rotina;
  • Um chocolate para assegurar que, em situações de maior azedume, é sempre possível reequilibrar o ambiente para mais doce.

Costuma passar férias com amigos? Correm bem? Conte-nos a sua experiência!

 

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