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Às 17h30, tal como tinha programado, estou a entrar na praça Jemaa el Fna, onde os restaurantes ao ar livre já estão a ser montados, num vai vem de mesas e lonas e todos os utensílios necessários. Na praça, estão também os contadores de histórias cuja expressividade atenua o facto de não perceber árabe, os aguadeiros que a troco de uma moeda tiram fotos com os turistas, os encantadores de serpentes e as suas flautas mágicas (dos quais me tentei afastar ao máximo porque tenho muito medo de cobras), os cantores, os jogadores de boxe, os amestradores de macacos, as mulheres que pintam as mãos com henna e os dançarinos gnawa que juntam a música magrebina à da África negra. Tudo isto dá um som e um misticismo ímpares a este local difícil de descrever, tanta é a informação que passa diante dos olhos de quem ali vagueia.

O pôr do sol aproxima-se e depois de ter andando pelo meio daquele quadro, subo ao terraço do Café Glacier para observar a grande “explosão” que está prestes a acontecer: as luzes das barraquinhas acendem-se, o fumo dos restaurantes cobre a praça e espalha o odor da excelente comida marroquina, a banda sonora do local aumenta de volume porque ninguém silencia esta praça ao fim do dia repleta de turistas e de marroquinos, os flashs das máquinas fotográficas não cessam e quando das mesquitas sai mais um chamamento, arrepio-me. Enquanto isso, o sol continua a pôr-se ao lado de um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, a mesquita La Koutobia, e lá em baixo, todas as personagens que já nomeie vão chamando a atenção de quem por lá passeia.

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Comecei este texto pelo fim do dia, porque a praça Jemaa el Fna foi, para mim, o ponto alto da visita a Marraquexe, no entanto, isso não significa que não tenha gostado de outros locais, bem pelo contrário: andar pela medina, passando pelo artesões nas suas oficinas e pelos comerciantes nos souks é sempre uma experiência a repetir em qualquer cidade marroquina mesmo para quem, como eu, não têm lá muito jeito para regatear; gostei do Jardim Majorelle, outrora a casa do estilista Yves Saint Laurent, da Koutobia e dos seus jardins, dos edifícios rosados espalhados por toda a cidade mas foi, sem dúvida, a praça que mais me marcou. Já imaginava a agitação, contudo, só in loco é que se percebe a dimensão e a expressividades deste autêntico espetáculo de rua e, acreditem, é difícil virar as costas a toda esta magia que nos enfeitiça imediatamente.

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Muito ficou para ver em Marraquexe mas foi um bom desenlace para esta viagem neste intenso país, onde voltarei com toda a certeza. A descontração de Chefchouen, o misticismo de Fez e a agitação da Praça Jemaa el Fna foram momentos muito marcantes mas também não me vou esquecer do carismático Idriss – o guia que nos acompanhou em Fez -, da senhora que limpa a casa de banho do Palais Mnebh – que me deve ter dito em árabe que eu não sabia lavar as mãos e fez questão de me agarrar nas mãos e mostrar-me como se deve fazer – e das crianças, que  fizeram uma pausa no jogo de futebol que estavam a disputar e correram até nós para pedir canetas quando parámos para fotografar o pôr-do-sol a caminho de Marraquexe. O sorriso que fizeram quando as receberam comoveu-me de uma forma como há muito não acontecia e mostra que não é preciso muito para sermos felizes num determinado momento. Venho mais rica de Marrocos, pois viajar é crescer, é viver, é sentir sem medos e a intensidade de Marrocos proporciona tudo isso e se querem um conselho um sorriso abre portas em qualquer parte do mundo e em Marrocos ainda mais.

Se quiserem saber mais sobre esta viagem, não percam a Saber Viver de novembro.

 

A Saber Viver viaja a convite do Turismo de Marrocos

 

 

 

 

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