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Por norma o Natal é uma altura feliz, em que há reencontros e união familiar. Infelizmente para muitas pessoas que se encontram numa fase de luto estes são dias muito difíceis de passar.

É uma dor inimaginável perder alguém que nos é querido em qualquer altura do ano. Acontece que o Natal, por ser uma época festiva em que toda a família se junta para celebrar o amor e a união, é o período em que as pessoas que estão de luto se sentem mais tristes e, muitas vezes, têm maior dificuldade em lidar com os outros.

Em termos gerais, o luto, que significa o conjunto de reações que uma pessoa tem a uma perda significativa, dura entre seis meses a um ano. Segundo Catarina Janeiro, psicóloga clínica da PSINOVE, “se após esse período a pessoa continua a mostrar-se triste e desconfortável é um sinal de alerta para os outros, pois pode tratar-se de um luto patológico. É importante incentivar à procura de ajuda”.

Se estes casos só são visíveis passado pelo menos um ano da perda de alguém, o mesmo não acontece quando a pessoa morreu há poucos meses. Quando é o primeiro Natal, devemos dar “espaço à enlutada para estar triste e, ao mesmo tempo, fazer com que esta se sinta acolhida, incluída nas conversas e nunca à parte dos outros”, diz Catarina Janeiro. Se devemos falar sobre o sucedido? “Não devemos puxar conversa, mas falar de forma tranquila sempre que a outra pessoa quiser. No período de luto não há muito a dizer. Temos é de ter muito cuidado com a desvalorização”, responde a psicóloga clínica.

Há sempre a possibilidade da pessoa querer passar o primeiro Natal sozinha, refugiada nos seus pensamentos. Segundo Catarina Janeiro, deve-se aceitar essa decisão e evitar grandes surpresas, como aparecer a família toda em casa da enlutada. No entanto, esta também não deve ser ignorada. “Fazer um telefonema ou enviar uma mensagem para que a pessoa sinta que está longe mas perto é muito importante”.

Se esta é a melhor forma dos familiares e amigos da pessoa que está de luto reagirem, é importante também perceber qual a melhor maneira da enlutada viver esta época. Embora cada caso deva ser analisado por si, há caminhos a seguir. É bom, nos dias de Natal, relembrar quem morreu de alguma forma? “Em família devem-se recordar os bons momentos, mas não faz sentido agir como se a pessoa estivesse presente e pôr mais um lugar na mesa, por exemplo”, explica a psicóloga clínica.

E se existirem crianças na família? A pessoa de luto deve festejar o Natal como nos anos anteriores por obrigação? “A época festiva não tem de ser igual todos os anos nem tem de se fazer sempre uma festa exuberante, até porque pode não contribuir para um processo de luto saudável. Aqui, mais uma vez, o apoio da família é muito importante. Deve ser esta a organizar as coisas e deve-se dar espaço a quem está triste para decidir o que é melhor para ela e como é que se sente mais confortável”, conclui Catarina Janeiro.

Em suma, o luto deve gerido pela pessoa da forma que achar melhor. Aos familiares cabe a tarefa não só de respeitarem, como de estarem alerta para longos períodos de tristeza. Nestas alturas, o amor, mais do que nunca, é a chave.

Já esteve ou lidou com uma situação de luto durante a época festiva? Conte-nos a sua história.

 

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