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Cada vez há mais crianças a sofrerem de atos violentos, intencionais e repetidos nas escolas e parques infantis. Na maioria dos casos, calam-se e têm medo de contar em casa que estão a ser vítimas de bullying. Como é que um pai e uma mãe devem proceder?

Os números são realmente assustadores. Segundo o Diário de Notícias, no último ano letivo, a PSP e GNR registaram no total 4757 crimes de bullying nas escolas portuguesas, cerca de 616 crimes por mês.

Ora, como reagem uns pais ao serem confrontados com esta realidade? Quão descansados ficam ao pensarem que os seus filhos podem estar a ser vítimas de violência contínua e intencional na escola? O ideal é estarem sempre atentos a todos os sinais e conversarem muito com as crianças. É importante que estas percebam que estão apoiadas e têm a quem recorrer, sem problemas, se forem maltratadas de alguma forma.

Para a ajudar a estar alerta a todos os sinais, criámos um pequeno guia sobre o bullying infantil.

O que é?

Segundo a APAV, “é uma forma de violência contínua que acontece entre colegas da mesma turma, da mesma escola ou entre pessoas que tenham alguma característica em comum (por exemplo: terem mais ou menos a mesma idade; estudarem no mesmo sítio)”.

Existem características específicas que chamam a atenção do agressor?

A forma de ser da vítima é uma das características mais “chamativas”. Se a criança for calada, mais sensível e frágil faz com que esteja mais exposta às agressões. Também o físico faz com que se possa tornar, infelizmente, “diferente” dos outros (ser mais baixa ou mais alta, magra ou gorda, usar óculos ou aparelho nos dentes). O facto do agressor não estar, muitas vezes, sozinho dá-lhe ainda mais força.

Que tipos de bullying existem?

Segundo a APAV, existem seis tipos de bullying:

Físico

  • Empurrar, amarrar ou prender;
  • Dar bofetadas, murros ou pontapés;
  • Cuspir, morder;
  • Roubar dinheiro ou outros bens pessoais;
  • Rasgar roupa e/ou estragar objetos.

Sexual

  • Insultar ou fazer comentários de natureza sexual;
  • Obrigar à prática de atos sexuais.

Verbal

  • Chamar nomes;
  • Gritar;
  • Gozar, fazer comentários negativos ou críticas humilhantes;
  • Ameaçar.

Social

  • Deixar de fora dos trabalhos de grupo e/ou dos jogos;
  • Inventar mentiras;
  • Espalhar rumores, boatos ou comentários negativos ou humilhantes.

Cyberbullying

  • Espalhar informação falsa, assediar/perseguir, incomodar e/ou insultar através de SMS, MMS, e-mail, websites, chats, redes sociais.

Homofóbico

  • Contar (ou ameaçar contar) a outras pessoas, contra a nossa vontade, segredos ou informações sobre a nossa sexualidade;
  • Discriminar com base na nossa identidade e expressão do género sexual (relacionado com a maneira como nos vestimos ou nos expressamos);
  • Fazer comentários negativos de cariz sexual e/ou gestos obscenos;
  • Praticar toques sexuais indesejados ou outros atos sexuais contra a nossa vontade;
  • Fazer comentários e/ou piadas homofóbicas;
  • Denegrir a nossa imagem junto de outras pessoas, inventando mentiras ou espalhando rumores/informação falsa;
  • Excluir propositadamente do nosso grupo de amigos e/ou forçar o afastamento dos amigos ou das pessoas que nos são mais próximas;
  • Deixar de fora das atividades, dos desportos/jogos e/ou das coisas que gostamos de fazer.

Como se sentem as crianças vítimas?

Em primeiro lugar ficam com um medo tremendo dos agressores. Têm medo de contar à família e sofrer represálias, acham que ninguém vai acreditar neles e que os amigos vão pô-las de parte. É muito normal nestes casos que as vítimas deixem de querer ir à escola (inventam que se sentem doentes, por exemplo), pioram as notas nos testes, perdem a vontade de fazer atividades ao ar livre e isolam-se em casa. A perda de apetite, suores, pesadelos frequentes, batimento cardíaco acelerado e enjoos são também sintomas que os pais devem estar alerta. 

Como é que os pais devem lidar com a situação?

  • Devem conhecer bem a escola e grupo de amigos dos filhos (também para dar espaço a estes miúdos a denunciar algo aos pais), por exemplo;
  • Ao mínimo sinal de desconforto da criança é muito importante saber o que a levou a tê-lo;
  • Baixou uma nota porque não percebeu bem a matéria? Ou será que anda ansiosa e com medo? Os pais devem falar com os professores as vezes que forem necessárias para saber como está a ser o rendimento da criança na escola;
  • O incentivo à partilha de problemas é muito importante. Se uma criança sentir que pode falar abertamente com os pais sobre tudo é meio caminho para partilhar com eles o que lhe está a acontecer;
  • Fazer uma espécie de diário dos acontecimentos que podem estar a criar o bullying é muito importante para futuras queixas;
  • Apresentar queixa crime. Aqui encontra a melhor forma de o fazer.

O seu filho já foi vítima de bullying? Ajude-nos contando a sua história.

 

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